Resenha: Phantasma, de Kaylie Smith
Com uma vibe fortíssima de Caraval, e um toque de ACOTAR, Phantasma entrega uma história sangrenta, sedutora e estranhamente picante. Há uma mansão viva, uma competição que não perdoa fraquezas, e um aliado inesperado e perigoso demais para confiar… mas irresistível demais para ignorar.
Com um romance sombrio e uma fantasia carregada de tensão emocional, a regra mais difícil em Phantasma não é sobreviver, é não se apaixonar.
Uma necromante e jogos que ninguém deveria jogar
Ophelia é uma jovem necromante vivendo em uma Nova Orleans ‘alternativa’, tentando sobreviver à morte da mãe, às dívidas, e à herança de poderes que ela não pediu. Como se isso já não fosse suficiente, sua irmã acaba presa nos Jogos Phantasma, uma competição mortal onde criaturas e humanos disputam um prêmio que vale tudo, inclusive a própria vida. Quem entra precisa sobreviver a provas perigosas, enfrentar medos muito pessoais e lidar com entidades que claramente sabem mais do que deveriam.
O grande acerto aqui é o clima. A mansão não é só pano de fundo, ela observa, reage, pressiona. Em alguns momentos, o livro flerta forte com o terror psicológico, especialmente quando os medos de Ophelia começam a ganhar forma.
A competição é boa… mas poderia ser melhor
A ideia da competição é ótima. No começo, ela realmente passa perigo, tensão e aquele medo gostoso de errar e morrer. Só que, conforme a história avança, algumas provas acabam ficando repetitivas e menos impactantes do que prometiam.
Não chega a estragar a leitura, mas dá aquela sensação de que o livro prefere insistir na atmosfera do que variar os desafios, ao menos para mim, isso deixou a leitura um pouco arrastada.

Gostei, me envolvi… mas não amei
Gostei muito da Ofélia como personagem. Ela é fácil de acompanhar, fácil de entender e, mesmo em meio ao caos de Phantasma, permanece fiel a si mesma e aos próprios instintos. O livro aborda de forma direta o TOC da protagonista, e aqui vale muito a recomendação de ler a nota da autora antes de começar. Mesmo sendo curta, ela contextualiza bem por que o transtorno de Ofélia se manifesta da forma como vemos na narrativa.
Kaylie Smith acerta ao retratar o TOC sem romantizar, sem suavizar e sem transformar isso em algum tipo de “dom especial”. É exatamente como deve ser: pesado, sufocante e desconfortável. Acompanhar Ofélia aprendendo a aceitar quem ela é, inclusive as partes que mais a assustam, foi um dos pontos mais fortes da leitura.
A relação com a irmã, Geneviève, também funciona muito bem. É nesse vínculo que Ofélia baixa a guarda, mostra lealdade e vulnerabilidade. Para mim, esse laço é um dos grandes acertos do livro, sou muito cadelinha e sempre vou defender irmãs bem escritas.
Blackwell chega com impacto: sedutor, provocador, protetor e cheio de mistério. No começo, ele funciona, cria tensão e sustenta bem o romance. Com o tempo, porém, o flerte constante e o comportamento possessivo acabam ficando repetitivos, e senti falta de um pouco mais de criatividade nessa dinâmica. Ainda assim, sua história de vida é interessante e adiciona profundidade ao enredo, especialmente quando entendemos melhor sua ligação com o Phantasma.
Os outros competidores também funcionam bem. São pessoas movidas por desespero, dívidas ou ambição, provavelmente o tipo de gente que aceitaria entrar numa competição mortal.
Fantasia sombria que poderia ser mais sombria
Sinceramente não achei Phantasma assustador. Mas como porta de entrada para romances mais sombrios, ele é perfeito. Não te joga no abismo, só te convida a olhar pra ele, e talvez dar um passo à frente.
Os elementos de fantasia funcionam, mas não chegam a ser arrebatadores. Os demônios são interessantes, porém… comportados demais. Faltou um pouco de ameaça real, de desconforto, de sensação de perigo.
Ele é sangrento, violento, cheio de armadilhas e mortes, mas não chega a causar medo real. Para mim, em muitos momentos ele me lembrou a série ‘O Mundo Sombrio de Sabrina’, da Netflix, com o visual e um clima dark mas sem provocar medo genuíno.
Considerações finais
Phantasma foi uma leitura divertida e envolvente, mesmo com seus tropeços. Tem uma atmosfera ótima, bons momentos de terror psicológico, um romance quente e uma ambientação que funciona muito bem.
O ritmo irregular e a repetição de algumas estruturas impedem que o livro vá além, mas não chegam a arruinar a experiência.
📚 Nota final: ★★★☆ 3,5/5
Nem todo livro precisa ser perfeito para ser recomendável. Às vezes, ele só precisa ser bom o suficiente para nos manter na leitura, mesmo reclamando um pouco no caminho.

Você será redirecionado para a Amazon
Se você gostou de Phantasma, leia também:
- Belladonna, de Adalyn Grace: Aqui, a Morte também é presença ativa e perigosamente sedutora.
- Reino das Bruxas, de Kerri Maniscalco: Demônios, pactos e um casal que se provoca tanto quanto se deseja.
- Cutelo e Corvo, de Brynne Weaver: Aqui o romance flerta com o grotesco e o perturbador, mantendo aquela sensação de: hummm, isso é errado… mas estou gostando.
Uma dica para ler ainda mais 📚
Se você ama descobrir novas histórias, vale conhecer o Kindle Unlimited e o Audible, dois serviços da Amazon feitos para leitores.
📖 Kindle Unlimited: milhares de eBooks liberados por uma mensalidade fixa
🎧 Audible: audiobooks para ouvir no seu ritmo, onde quiser
A melhor parte: ambos oferecem 30 dias de teste gratuito para novos usuários.
Dá para explorar no seu ritmo, sem compromisso.
Você será redirecionado para a Amazon • Como Associado Amazon, ganho com compras qualificadas.